quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Cada dia mais difícil...

Infelizmente está cada dia mais difícil a realização do tratamento de reprodução assistida custeado por planos de saúde através de decisões judiciais.

Já existem enunciados de Juizados Especiais tratando da matéria, onde trazem expressamente a negativa para tal tratamento.

Uma pena, pois é um tratamento bastante dispendioso e as pessoas que recorrem a ele apresentam algum tipo de infertilidade que as impossibilita de ter um filho pelo método natural. Uma esperança para muitas famílias!


quarta-feira, 26 de março de 2014

Julgamento favorável de recurso




Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
002432
3
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86.2008.8.19.0001
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APELAÇÃO
1ª Ementa
DES. TERESA CASTRO NEVES
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Julgamento: 09/11/2011
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SEXTA CÂMARA CÍVEL
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CONSTITUCIONAL. MEDICAMENTOS PARA
FERTILIZAÇÃO IN VITRO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA
HUMANA. DIRE
ITO À VIDA E À SAÚDE. DIREITO À FAMÍLIA. DIREITO DE SER
FELIZ. É dever do Estado garantir o planejamento familiar, seja através de métodos
contraceptivos, como conceptivos. Art. 226, § 7º, da CRFB/88. Art. 294, da CERJ.
Lei nº. 9.263/96. Pretensão de obter
medicamentos necessários ao tratamento
para fertilização in vitro não foge do postulado de garantia à saúde, que deve ser
assegurado pelo Poder Público. Não obstante a existência de outras formas para se
ter um filho, como a adoção, por exemplo, não é pos
sível privar a cidadã
hipossuficiente de gerar um filho em seu ventre, já que a infertilidade e o
impedimento de conceber um filho pela via natural pode acarretar abalo na saúde
psicológica da autora, cabendo ao Estado garantir, assim, a saúde dos seus
adm
inistrados. A premissa de que não implica em risco à saúde o fato de não poder
ter filho não se sustenta, mormente porque o Conselho Federal de Medicina
reconhece a infertilidade como uma patologia, que pode ter consequências
psicológicas e psiquiátricas,
inclusive. Assim como o Estado fornece medicamentos
e preservativos para contracepção, deve também fornecer os meios para a
concepção àqueles que não tem condições financeiras de custear os medicamentos
decorrentes do tratamento. Ademais, é dever constituc
ional do Estado garantir a
todos o direito à vida digna, à família e a ser feliz, sendo irrefutável que a
sobrevivência digna e feliz da autora se dará com a concepção do seu filho, não
podendo o Estado ser presente num aspecto do planejamento familiar
(co
ntracepção) e omisso noutro (concepção). Reforma da sentença. Provimento do
recurso.

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Data de Julgamento: 09/11/2011
Relatório de 29/09/2011
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Dor da Infertilidade

A dor é parecida com o luto por perder um ente querido recorrente. As pessoas inférteis sofrem pela luta de um filho que nunca podem chegar a conhecer. Num casamento bem sucedido é mais fácil pela cumplicidade de ambos o planejamento do filho. É normal que este filho seja idealizado pelos pais e que seja esperado com extrema expectativa entre o casal, principalmente para à mãe. O extinto materno fala mais alto e deixa a mãe realizar seus sonhos preparando o quarto do bebê, dar carinho através da Psicologia Pré-Natal que significa todo o desenvolvimento psíquico do feto. Quando esta expectativa não se concretiza pode acarretar fatores sérios emocionais tanto para a mulher e para o homem. O desejo de ser mãe vira um grande pesadelo e uma frustração. Gera um luto pela perda e consequências como uma Depressão profunda com risco eminente de ter sua vida destruída. A infertilidade é uma doença silenciosa, uma luta muito dolorida. O que pouco se fala é que pessoas inférteis são oriundas em sua maior parte por doenças genéticas que por vezes, o tratamento e tratamento podem ser realizados através de um procedimento de Reprodução Humana. O maior problema é que quando um casal decide lutar pela cura da doença a conta bancaria diminui, podendo chegar à falência. Tudo isso porque a ANS diferentemente do SUS não reconhece a infertilidade como uma doença, o problema é que o SUS não tem condições de atender a enorme demanda. Os planos de saúde se negam a custear o tratamento de infertilidade. O que por Lei todo paciente de plano de saúde tem total amparo para realização de todo tratamento necessário, mais infelizmente somente através do judiciário, e assim mesmo, pelas mãos de um especialista em direito e saúde é que esse direito pode ser concebido. Por diversas vezes escuto que uma pessoa fértil deveria recorrer à adoção, ouço isso até mesmo da boca de alguns juízes ou de pessoas que não compreendem o problema. Não minimize o problema – A falha ao conceber um filho é jornada muito dolorosa. Esses casais veem seus amigos terem dois, três filhos, e veem essas crianças crescerem enquanto voltam para o silencio de suas casas. Estes casais veem toda alegria que uma criança traz para vida de uma pessoa, e sentem o vazio de serem capazes de experimentar essa alegria. Quem é a autoridade final sobre qual é a pior coisa que poderia acontecer alguém? Se Deus estivesse no ramo da esterilização das mulheres no plano divino, você acha que ele preveniria a gravidez que terminam em abortos? Ou então não esterilizaria as mulheres que terminam por negligenciar ou abusar de seus filhos? Mesmo que você não seja religioso, os comentários do tipo “talvez não seja para você ser mãe”, não são reconfortantes. A infertilidade é uma condição médica, não uma punição de Deus ou da Mãe Natureza. Não abram mão dos seus sonhos, lutem pelos seus direitos, procurem especialistas em direito e saúde, que irá ao judiciário para fazer seus planos de saúde custearem todo seu tratamento. Informem aos seus médicos que esse é um direito liquido e certo seu. A maior parte dos médicos não sabe que você e ele possuem esse direito. O Médico tem total amparo legal para orientar seus pacientes na busca dos seus direitos quando o tratamento proposto é glosado pelo plano de saúde. O texto revela-se como importante contribuição aos médicos e à sociedade, e esperamos que seja objeto permanente de reflexão para todos os que buscam o pleno exercício ético nas diferentes searas da vida. (Roberto Luiz d’AvilaPresidente do CFM). Para o Advogado Alan Trajano – Especialista em Direito e Saúde de Brasília, o plano de saúde deve cumprir o princípio da boa-fé objetiva e tem o dever de informar sobre cláusulas e condições de contrato, ou seja, no contrato de adesão não está expressamente descrito que o plano de saúde não cobre tratamento genético ou de fertilização. Para Dra. Cintia Rocha – Advogada que obteve a primeira decisão liminar no Estado de São Paulo para cobertura do tratamento de Fertilização in vitro a Lei 9.656/98 (ANS), Código de Defesa do Consumidor e Constituição Federal de 1988, as normas internacionais e nacionais de direitos humanos, e os Códigos de Ética das profissões ligadas à saúde, consagram os direitos do paciente como direitos humanos. Para Adriana Leocadio, presidente da ONG Portal Saúde e Membro da Organização Mundial da Saúde (OMS), as pessoas amigas de casais inférteis provavelmente já sabem mais sobre as causas e soluções dessa doença do que você jamais saberá. Você pode achar que está ajudando lendo sobre infertilidade, e não há nada de errado em aprender mais sobre o assunto. O problema aparece quando você tenta brincar de medico com seus amigos que sofrem com a infertilização. Nossa recomendação é que se você tem alguém próximo que sofra de infertilização propague a notícia de que ele tem direito a tratamento custeado pelo plano de saúde.

A Inferlidade e os Planos de Saúde


Definição - A infertilidade primária consiste em casais que não conseguiram gravidez após um ano de prática sexual sem proteção. A infertilidade secundária consiste em casais que já engravidaram pelo menos uma vez, mas não obtiveram sucesso em engravidar novamente.

Nomes alternativos - Incapacidade de concepção; Incapacidade de engravidar

Causas, incidência e fatores de risco - As causas da infertilidade consistem em uma larga gama de fatores físicos e emocionais. A infertilidade de um casal pode decorrer de fatores femininos, masculinos ou de ambos.

A infertilidade feminina pode decorrer de:

  • Problemas do óvulo fertilizado ou do embrião para conseguir sobreviver após estar preso à camada uterina
  • Problemas do óvulo fertilizado para conseguir se manter preso à camada
  • Problemas dos óvulos para conseguirem viajar do ovário para o útero
  • Problemas com a produção de óvulos do ovário

A infertilidade feminina pode decorrer de:


Em casais saudáveis abaixo dos 30 anos que praticam sexo regularmente, a chance de engravidar é de somente 25% a 30% por mês. O auge da fertilidade feminina ocorre aos 20 anos. Conforme a mulher passa dos 35 anos (e principalmente depois dos 40), a probabilidade de engravidar cai para abaixo de 10% por mês. A idade do paciente determina a procura por assistência médica. Para mulheres abaixo dos 30 anos, é geralmente recomendado tentar conceber por pelo menos um ano antes de realizar exames.

Sintomas - O sintomas físico da infertilidade é a incapacidade de engravidar. A experiência da infertilidade pode trazer uma gama de emoções dolorosas em um ou nos dois membros do casal. No geral, ter pelo menos um filho já ameniza essas emoções.

É importante reconhecer e discutir o impacto emocional que a infertilidade tem sobre o casal e procurar orientação médica. Infertilidade primária é um termo usado para descrever um casal que não nunca conseguiu conceber uma gravidez após pelo menos um ano de tentativas através de relações sexuais sem proteção. As causas da infertilidade incluem uma ampla gama de fatores, tanto físicos quanto emocionais.

Complicações - Embora a infertilidade em si não resulte em doença física, pode ter um grande impacto emocional nos casais e indivíduos afetados por ela. Os casais podem ter problemas matrimoniais. Os indivíduos podem passar por depressão e ansiedade.

Diante dessa grande explanação fornecida pelo Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e Brasil eu gostaria de deixar uma questão para reflexão de todos: QUAL É O PAPEL DOS PLANOS DE SAÚDE DIANTE DESSA REALIDADE?

Diante de tantas possibilidades de tratamentos para alcançar o direito de ser mãe e ter uma família, não devemos permitir que a questão financeira seja à barreira mais difícil a ser vencida, principalmente quando pagamos mensalmente um plano de saúde e temos direito a todos os métodos acima mencionados garantido por Lei e resolvidos de forma imediata.

Evidente que muitos ao ler isso terão atitude de consultar seus planos de saúde ou mesmo os contratos de adesão e ouviram que “esse tipo de tratamento não está contemplado no seu plano”. Algumas operadoras de saúde simples nem saberão do que se trata e logo vão emitir um sonoro “não tem direito”. Afinal quem são essas pessoas que estão nos fornecendo essa informação??? Infertilidade não é considerada uma doença física de risco de vida mais pode torna-se uma vida sem sentido, além de ferir o direito a família.

Importante ressaltar que a infertilidade possui um “protocolo clinico de tratamento” e isso é suficiente para que tenhamos direito a obter o tratamento indicado pelo médico que nos assiste, seja ele credenciado ou não do plano de saúde.

É nessa hora que entra a importância de buscar um profissional especialista em direito e saúde. É comum, devido a sentimentos de insegurança e frustração, nos perdermos em meio a fantasias aterrorizantes, nas quais parece que o desejo nunca será realizado, quer pela via judicial. Em alguns momentos, é necessário nos afastarmos um pouco do mundo das emoções e colocarmos mais objetividade e racionalidade para enfrentarmos os problemas, já que, se existem formas para resolvermos essa questão, é nelas que devemos nos respaldar.

Nesse momento é importante compreender que a infertilidade pode ser resolvida através de procedimentos de fertilização e, portanto mediante a isso cabe ao Plano de Saúde custear todas as etapas para esse tratamento. Ocorre que a maioria da população incluindo os Magistrados compreende muito pouco a respeito desse assunto e as conseqüências que a representa para um casal e em especial uma mulher a frustração de não poder ser mãe. Além disso, os usuários dos planos de saúde desconhecem seus direitos em relação à saúde a Lei 9656/98 que regulamenta os planos de saúde privados. O importante é salientar que todo esse procedimento só depende da vontade dos pacientes com a devida orientação dos médicos. Ademais neste aspecto o médico possui particular proteção legal que se encontra nos artigos 8º e 16º da Resolução 1246/88 do CFM, os quais estabelecem que nenhuma instituição, seja pública ou privada, poderá limitar a escolha, por parte do médico, para o estabelecimento do diagnóstico ou para execução do tratamento, o que vem sendo roborado pelas decisões dos Tribunais.

Para mim é importante salientar que é necessário quebrar o medo inserido nas pessoas toda vez que pronunciamos ou recomendamos procurar a Justiça Brasileira.  Infelizmente por tudo que é divulgado na mídia ou por experiência vividas logo que é sugerido procurar a Justiça alguns tipos de medos são acionados. O medo da demora em solucionar o problema, o medo de perder a causa, o medo de ser castigado pelo plano de saúde, o medo de ser descredenciado.

Nesse momento eu gostaria muito de chamar atenção de todos os leitores para o fato de que direito e saúde é o mesmo que direito a vida, isso significa dizer que a decisão deve ser tomada de forma liminar pelo Juiz em até no máximo 48 horas conforme determina a Lei. E assim como os médicos tem total autonomia para decidir o melhor tratamento para seus pacientes o cliente de plano de saúde tem total garantia para lutar pelos seus direitos sem sofrer nenhum tipo de sanção por parte das operadoras. Não se deixem enganar ou pior não aceitem qualquer coisa porque medo.

Desfralde - excelente texto!

Os Riscos do Desfralde Precoce: um medico em defesa do treino de toalete mais tardio 

(Por Dr. Steve Hodges, com Suzanne Schlosberg) 

Você provavelmente já ouviu os argumentos em favor de começar cedo o treino ao toalete. Eles começam cedo na Europa! Bebês colaboram mais do que crianças de 3 anos! Fraldas são ruins para o meio ambiente! Talvez você já até mesmo lido estudos científicos concluindo que as crianças que começam o desfralde mais tarde têm mais chances de terem dificuldades.
Como urologista pediátrico especializado em treino ao toalete, eu lhes digo o seguinte: Crianças com menos de 3 anos não deveriam ter de lidar com o treino ao toalete, tanto quanto não devem cuidar das poupanças para pagar a faculdade. Escolas infantis que exigem que crianças com menos de 3 anos já estejam desfraldadas (como uma escola na Virgínia que deu uma suspensão à pequena Zoe Rosso, de apenas 3 anos e meio, por molhar demais as roupas ) estão prejudicando as crianças. E o treino de bebês, promovido por alguns autores, como Mayami Bialik em seu novo livro “Beyond de Sling”, é uma ideia maluca. A não ser que, como Bialik, você monitore o bebê 24 horas por dia, dê-lhe uma dieta vegetariana rica em fibras e não mande seu filho para a creche. As crianças precisam experenciar a eliminação de fezes e urina sem se preocuparem com expectativas de usarem o sanitário em idade tenra.
Não significa que crianças pequenas não possam ser treinadas para o uso de toalete. Com certeza elas podem. Mas conseguir fazer cocô no penico quando levada até ele não é o mesmo que saber reconhecer e interpretar os sinais do próprio corpo de que ele precisa evacuar.
Vamos acelerar dos dois para os três anos. É nessa idade que as crianças desfraldadas precocemente aparecem no meu consultório, com queixas de escapes de fezes e urina, infecções repetidas no trato urinário ou enurese noturna (molhar a cama à noite).
“Eu não entendo”, diz a mãe, “eu nunca a forcei, ela praticamente se desfraldou sozinha”.
Eu acredito na mãe. Mas infelizmente esse é um quadro típico de crianças que são treinadas precocemente, e quanto mais precoce, tanto mais graves são os problemas. Eu vejo por volta de 100 crianças por semana em meu consultório, e metade delas têm disfunções de evacuação, tendo a maioria sido desfraldada antes dos 3 anos.
Para compreender os riscos do desfralde precoce, é importante compreender que praticamente todos os problemas de desfralde (vazamentos de fezes e urina, enurese noturna, infecções do trato urinário) estão relacionados ao fato de segurar cronicamente a urina, as fezes ou ambos.
Crianças (TODAS as crianças) não gostam de interromper suas atividades para ir ao banheiro. Uma vez que elas aprendam a segurar a urina e as fezes, que basicamente é a essência do treino ao toalete, elas tendem a segurar pelo maior tempo possível. Esse é um hábito perigoso. Toda vês que você contrai seu esfíncter para que não vaze urina, você cria uma resistência na sua bexiga. O quê acontece toda vez que você contrai seus músculos da bexiga? Exatamente o mesmo que ocorre quando você malha na academia. Eles se tornam mais espessos e fortes. Mas ao contrário de um bíceps, uma bexiga espessa é ruim. Ela tem reterá menos urina e perderá a sensibilidade. Quando uma criança segura o xixi, por meses e anos, a parede da sua bexiga se torna mais espessa, eventualmente a bexiga se torna tão forte e irritada que pode vazar sem que a criança perceba.
Segurar cronicamente as fezes (encoprese) um problema que é exacerbado nas crianças com dietas pobres em fibras, piora o estrago. Uma massa de fezes se forma no reto logo abaixo da bexiga, e pode estender o reto de 2 até 10 centímetros de diâmetro ou mais, tomando espaço na pélvis e fazendo com que a bexiga não consiga conter a urina. Além disso, os nervos que controlam a bexiga, e que passam por entre a bexiga e o intestino, ficam irritados quando o intestino está alargado, causando contrações involuntárias da bexiga – em outras palavras, causam escapes constantes.
Embora ninguém poste no Facebook, “Meu filho molhou a cama de novo”, problemas com o treino de toalete são crescentes na nossa cultura. Consultas a médicos pediatras motivadas por constipação dobraram na última década, e consultas a hospitais pelo mesmo motivo quadruplicaram. Na idade de 7 anos, 8% das meninas já tiveram uma infecção do trato urinário fazendo parte de um milhão de consultas a médicos pediatras e 14% de todas as emergências em pronto socorros pediátricos. Além disso, cinco milhões de crianças molham a cama, incluindo cerca de 20% das crianças de 5 anos, 12% das de 6 anos e 10% das de 7 anos.
Embora esses dados sejam robustos, acredito que tais número ainda são subestimados. Uma vez que os pais tendem a acreditar que problemas com o treino de toalete são normais, muitos não procuram ajuda médica para isso.
Mesmo nos casos em que a ajuda médica é solicitada, muitas vezes a causa dos problemas com treino de toalete passa desapercebida. Muitos pais, e também muitos pediatras, acreditam que constipação equivale à defecação infrequente. No entanto, muitas crianças constipadas defecam diariamente, até várias vezes ao dia. Grandes massas de bolo fecal endurecido podem passar desapercebidas, pois as fezes mais moles podem passar por elas, dando a impressão de que a criança evacuou toda a massa. Foi isso o que aconteceu com Zoe Rosso, a garotinha que foi suspensa da pré-escola, e que agora é minha paciente. Zoe tinha uma rolha de bolo fecal do tamanho de uma maçã dentro do reto, porém o pediatra e também o urologista pediátrico não perceberam isso, pois não pediram exames de raio X.
Muitos estudos já publicados (inclusive um de nossa autoria, publicado em 2012 na revista “Urology”) mostram que quando se dissolve a rolha de massa fecal e previne-se a formação de novas massas, os vazamentos, infecções urinárias e enurese cessam. Nossos estudos apenas confirmaram os resultados de um estudo canadense, publicado nos anos 80. Isso demonstra cabalmente que as crianças com problemas de enurese eram severamente constipadas, embora mostrassem pouco ou até nenhum sinal disso, e que tratar da constipação resolveu a enurese e as infecções do trato urinário. (Vale lembrar que constipação significa a obstrução do reto por massas de bolo fecal, e não deixar de evacuar regularmente.)
A razão pela qual as crianças que foram desfraldadas aos 2 anos mostram mais problemas do que as crianças treinadas depois, em minha opinião, é o fato de que estas últimas puderam passar mais meses ou anos decidindo por si mesmas quando urinar ou defecar – antes que elas fossem maduras o suficiente para entender a importância de eliminar assim que sentissem vontade. Além do mais, a bexiga precisa desses 3 ou 4 anos de crescimento e desenvolvimento, e ter hábitos de eliminação livres (leia-se: fraldas) facilita o seu desenvolvimento máximo.
Os pais geralmente me dizem que seus filhos têm vazamentos por que “têm a bexiga pequena”, como se isso fosse congênito. Talvez a criança tenha uma bexiga pequenas, mas somente porque a sua capacidade foi comprometida pela sua constante contração.
Com qual frequência eu vejo uma criança que ainda usa fraldas e tem infecções urinárias recorrentes? Nunca. Com que frequência eu trato crianças recém treinadas no desfralde com infecção urinária recorrente? Todos os dias. Essas crianças são 25% dos meus pacientes. Isso não é mera coincidência, e demonstra muito claramente que o treino precoce do uso do toalete é prejudicial e perigoso. É impossível que crianças saudáveis, com desenvolvimento normal, que não sofram de constipação, e aprendam a usar o penico com 3 anos e meio de idade tenham enurese ou encoprese crônicas do que as crianças treinadas aos 2 anos e meio. Crianças que usam fraldas não constipam, muitas crianças em processo de treinamento de toalete o fazem. Cada ano de sem constipação, sem a exigências e regras para a evacuação – em outras palavras, usando fraldas – leva ao crescimento da bexiga; cada ano de contração para segurar os esfíncteres faz a bexiga encolher e se tornar mais irritável e hiperativa.
Pense nisso: a terapia padrão para os vazamentos envolve dar-lhes laxantes e coloca-las de hora em hora no penico, tirando a decisão de quando evacuar de suas mãos.

Talvez você ainda não esteja convencido a esperar até os 3 anos pelo desfralde. Talvez você se pergunte: e sobre as pesquisas que mostram que é o treinamento de toalete tardio, e não o precoce, a causa das constipações e vazamentos?
Bem, há uma grande falha nessas pesquisas. Seus autores não checaram, com exames de raio X, para ver se as crianças sofriam de constipação quando começaram a ser treinadas. Os arquivos da minha clinica mostram que, entre as crianças treinadas mais tarde, não é a idade em que começou o treinamento, e sim a constipação não diagnosticada, que está correlacionada aos problemas. Nós descobrimos que as crianças treinadas depois dos 3 anos geralmente começaram o desfralde mais tarde porque já eram constipadas (seus pais tentaram antes, sem sucesso).
Então, se você está fazendo o treino de toalete com seu filho de 2 anos, porque a escola que você escolheu assim o exige, eu sugiro que você procure outra escol. Mandar uma criança de recém desfraldada para a escola apenas aumenta o risco de problemas de constipação, especialmente se as escolas não permitirem nem mesmo o uso de fraldas “pull ups”. Pense bem: você estará colocando uma criança de 3 anos num ambiente desconhecido, possivelmente pela primeira vez em sua vida, para local onde ela não terá membros da família por ao menos metade do dia. E você espera que a criança interrompa a professora durante a rodinha de história, e anuncie que precisa usar o penico, ou que ela saia do forte que ela está construindo com seus amiguinhos e vá sozinha até o banheiro. Seja quem for que ache que essa é uma boa ideia, certamente nunca pisou numa clinica de urologia pediátrica.
Para piorar, essas crianças ainda são mal equipadas para lidarem com as políticas restritivas ao uso de banheiros que as esperam na escola primária e depois dela. Tenho incontáveis pacientes que desenvolveram a capacidade de segurar as fezes e a urina das 7:30 até as 16:30 – e desenvolveram sérios problemas de bexiga e infecções urinárias recorrentes por isso.
Crianças recém treinadas para o desfralde precisam de acompanhamento constante, não importa quanto tempo elas consigam permanecer secas, e quanto mais cedo você decide treinar uma criança, maior é a sua responsabilidade de checar e estimular de perto suas necessidades e hábitos de micção e evacuação. Crianças precisam ser lembradas de ir ao banheiro a cada duas horas. (E as pessoas que cuidas das crianças jamais deveriam apenas perguntar se elas querem ou precisam ir ao banheiro, pois a maioria das crianças responderá que não. É seu trabalho instruir à criança sobre quando ir.)
Também é importante olhar como estão as fezes da criança sempre que você tiver uma chance (por sorte, a maioria das crianças esquece de dar descarga!). As fezes devem ser finas e/ou pastosas, como purê de batatas. As fezes amolecidas e aquosas, semelhantes à diarreia, indicam problemas. Fezes muito grandes e espessos são sinais de constipação.
Você também pode ensinar seu filho a checar suas próprias fezes e relatar como elas são. (Sim, tudo isso parece nojento, mas é importante que as famílias falem sobre isso, e muitas crianças acham divertido falar sobre as próprias fezes.) Finalmente, tente manter acompanhamento sobre quando foi a última vez que o seu filho defecou.
Eu sei que o sonho da maioria dos pais é o dia em que seus filhos pequenos irão ao banheiro sozinhos. Eu também espero por esse dia. Mas não fique tão obcecado pela sua liberação dessa tarefa Você precisará prestar atenção aos hábitos de eliminação do seu filho até ter certeza de que ele de fato conseguiu!

Fonte: Texto publicado originalmente em inglês, em março/2012, no site: http://www.babble.com/toddler/toddler-health-safety/dangers-potty-training-early/. Traduzido e adaptado para o português por Taicy Ávila.
Taicy Ávila às 23:48

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

2013 chegou!


                                                       eu e meu filhote: amor maior!

2013 chegou e com ele novas esperanças, novos sentimentos, novo fôlego para lutar!

Para as mulheres que têm algum problema de infertilidade, o meu recado é: não desistam jamais! Lutem até o último momento sem perder as forças!

Busquem o caminho para o tratamento, seja ele através de economias, justiça, programa acesso... seja como for, vale a pena lutar para fazer uma, duas, três tentativas, ou quantas bastem ou possam fazer para alcançar a gravidez!

Beijo grande,

Claudia.

FELIZ 2013!!!